Clínicas veterinárias da Região dos Lagos são autuadas por irregularidades

Um mutirão de fiscalização realizado pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro resultou na autuação de seis clínicas veterinárias na Região dos Lagos. A ação, que ocorreu entre os dias 6 e 10 de outubro, inspecionou 88 estabelecimentos em diferentes municípios da região, com verificações também em horários noturnos.
Durante as visitas, fiscais do Departamento de Fiscalização encontraram diversas irregularidades, incluindo medicamentos vencidos, falhas em procedimentos sanitários, ausência de responsável técnico e armazenamento inadequado de vacinas e insumos.

Em Casimiro de Abreu, uma clínica foi flagrada reutilizando fios de sutura — que estavam em embalagem de esterilização para uso em outro paciente — e armazenando medicamentos vencidos, alguns desde 2024. O local também não possuía controle microbiológico da autoclave, nem termômetro para aferição da temperatura da geladeira de vacinas. Além disso, não foram apresentados registros de armazenamento e descarte de resíduos infectantes.

Em Armação dos Búzios, um estabelecimento que realizava atendimentos clínicos e cirúrgicos sem responsável técnico mantinha animais internados durante a noite, sem acompanhamento médico-veterinário. Os fiscais também identificaram pendências relacionadas à Resolução nº 1.275/2019, parede danificada na sala cirúrgica, insumos vencidos e uso inadequado da geladeira de vacinas, onde foram encontrados produtos alimentícios, como leite condensado.
No distrito de Unamar, em Cabo Frio, uma clínica veterinária 24 horas que realiza cirurgias e internações também apresentou falhas. O local não possuía área de isolamento para animais com doenças infecciosas — três estavam internados, incluindo um com diagnóstico de parvovirose. Medicamentos vencidos também foram encontrados.

Ainda em Cabo Frio, outra clínica foi flagrada utilizando o mesmo refrigerador para armazenar vacinas e produtos alimentícios, como doces de festa. O Conselho alertou que essa prática pode comprometer a eficácia dos imunizantes, já que o acondicionamento incorreto pode causar contaminação cruzada e perda de propriedades dos medicamentos. No local, também foram descartados produtos de uso controlado vencidos e ampolas abertas com indícios de reutilização. Os fiscais constataram ainda que os medicamentos controlados não estavam guardados em armário trancado e que não havia controle de temperatura da geladeira nem plano de gerenciamento de resíduos.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária reforça que o exercício da profissão deve seguir rigorosamente as normas técnicas e sanitárias estabelecidas pelos Conselhos de classe e órgãos de Vigilância Sanitária, garantindo a segurança dos animais, dos profissionais e da sociedade.
A autarquia informou que seguirá realizando ações fiscalizatórias em todo o estado, com caráter educativo e preventivo, para assegurar o cumprimento da legislação e fortalecer a responsabilidade técnica como instrumento essencial à saúde pública e ao bem-estar animal.

