Festival de Cinema e Política abre com homenagem à resistência e ao cinema como ferramenta de transformação

Com uma plateia emocionada e uma programação que valoriza a arte como instrumento de mudança social, teve início nesta quarta-feira (19) a segunda edição do Festival de Cinema e Política, no Cine Henfil, em Maricá. A noite de abertura foi marcada por encontros históricos, reflexões profundas e homenagens a figuras que fizeram do cinema uma forma de resistência.
O evento foi conduzido pelo secretário de Cultura e das Utopias, Sady Bianchin, ao lado de Gianne Neves, gerente do Cine Henfil/CECIP. “Esse Festival é o maior do gênero. Por meio desse recorte, assumimos o cinema como um fazer político, coletivo e revolucionário. Ao trazer esse evento para o Cine Henfil, estamos incentivando em Maricá espaços abertos para pensar em uma cidade mais justa e igualitária para o futuro. Principalmente, através da arte, da linguagem artística e do turismo cultural”, destacou Bianchin.

A abertura contou com a presença marcante de Tetê Moraes e Claudius Ceccon, que compartilharam relatos emocionantes sobre suas trajetórias marcadas pela ditadura, exílio e a construção de uma arte engajada. Ambos relembraram companheiros de luta como Betinho e Henfil — este último, cartunista que dá nome ao cinema público da cidade.
Na sequência, o público acompanhou a exibição do filme O Sonho de Rose – 10 anos depois, dirigido por Tetê Moraes e ovacionado pelos presentes. Antes da sessão, Janelson Ferreira, dirigente nacional do MST, afirmou:
“E assim o cinema permanecerá, tendo prioritariamente, devendo ser revolucionário, até que o sonho de Rose se realize para todas as famílias, sejam sem terras, sem tetos, indígenas, seja qualquer família.”
Durante a conversa mediada por Sady Bianchin, Tetê reforçou a importância do cinema como expressão coletiva e comparou sua produção com a própria luta social:
“O cinema é uma experiência coletiva, assim como é a luta da classe trabalhadora. Ninguém ocupa uma terra sozinho — isso acontece porque não há alternativa. A luta é organizada, construída coletivamente, assim como um filme. O Sonho de Rose nasceu dessa mesma lógica: da união, da resistência e do sonho coletivo de transformar a realidade. O cinema pode e deve ser tão revolucionário quanto a luta social”, declarou a diretora.
O debate ainda contou com Maurício Roman, também dirigente do MST, que reforçou a importância de construir pontes entre a cultura e os movimentos sociais, e destacou figuras como Tetê como aliadas fundamentais na luta por justiça social.
O Festival de Cinema e Política é uma realização da Prefeitura de Maricá, por meio da Secretaria de Cultura e das Utopias, em parceria com o CECIP – Centro de Criação de Imagem Popular. O evento segue até o dia 29 de junho, com entrada gratuita. Para garantir seu lugar, é necessário reservar pelo site:
📽️ Confira a programação:
Sexta-feira – 21 de junho
🕠 17h30 – Mesa: “Política do Audiovisual Brasileiro” – com Léo Edde, Zeca Brito, Mariana Marinho e Ana Abreu (mediação)
🎞️ 19h – Filme: Legalidade (Zeca Brito, 2019)
Sábado – 22 de junho
🕠 17h30 – Mesa: “Arte contra a Barbárie” – com Cid Benjamin, Guto Neto, Susanna Lira e Lorena Leal (mediação)
🎞️ 19h – Filme: Nada sobre meu pai (Susanna Lira, 2023)
Domingo – 23 de junho
🕠 17h30 – Mesa: “Cinema, Sociedade e Ideias” – com Neville D’Almeida, Silvio Tendler, Ruy Guerra, Ana Rosa Tendler e Gianne Neves (mediação)
🎞️ 19h – Primeiro Manifesto da Cultura Negra (1984) e Bye Bye Amazônia (2023), de Neville D’Almeida
Sexta-feira – 28 de junho
🕠 17h30 – Mesa: “Cinema, Religião e Política” – com Frei Betto, Sergio Luiz Souza, Sady Bianchin, Washington Quaquá e Marcela Giannini (mediação)
🎞️ 19h – Filme: Batismo de Sangue (Helvécio Ratton, 2007)
Sábado – 29 de junho
🕠 17h30 – Mesa: “Cinema e Memória Social” – com Paula Sacchetta, Mariana Figueiredo, Beto Novaes e Isis Macedo (mediação)
🎞️ 19h – Filme: Verdade 12.528 (Paula Sacchetta, 2013)
Domingo – 30 de junho
🕠 17h30 – Mesa: “Cinema, Política e Contemporaneidade” – com Hildegard Angel, Francisco Carlos Teixeira, Sergio Rezende, Washington Quaquá e Sady Bianchin (mediação)
🎞️ 19h – Filme: Zuzu Angel (Sérgio Rezende, 2006)

