sexta-feira, março 6, 2026
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Protestos em Copacabana denunciam avanço do feminicídio no Brasil

Manifestantes se reuniram em Copacabana para protestar contra a violência e o feminicídio no Brasil. Atos ocorreram em várias capitais.Fotos Sheila Guimarães

Diante de números que colocam o Brasil entre os países com mais registros de feminicídio, manifestantes se reuniram neste domingo (7), na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para protestar contra a violência sofrida por mulheres em todo o país.

A mobilização teve início na altura do Posto 5 e reuniu centenas de pessoas, em sua maioria mulheres, que caminharam com cartazes e palavras de ordem em defesa da vida feminina.

Durante o ato, foram entoadas mensagens como “Mulheres, é hora de levantar”, “Nenhuma a menos” e “Nossa vida importa, nossa voz importa”. O protesto foi motivado pelos recentes casos de violência de gênero registrados em diferentes regiões do Brasil e ocorreu de forma simultânea em diversas cidades do país.

O ato em Copacabana contou com acompanhamento da equipe do Jornal Portal Lagos, que realizou a cobertura no local.

Organizada por coletivos, movimentos sociais e entidades feministas, a manifestação relembrou uma série de feminicídios que chocaram a opinião pública nos últimos meses. De acordo com o Mapa Nacional da Violência de Gênero, cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram ao menos um episódio de violência doméstica nos últimos 12 meses. Já dados do Ministério das Mulheres indicam que, somente em 2025, mais de 1.180 feminicídios foram registrados no país, além de quase 3 mil atendimentos diários realizados pelo Ligue 180.

Além do Rio de Janeiro, atos semelhantes foram registrados em capitais como São Paulo (SP), Curitiba (PR), Campo Grande (MS), Manaus (AM), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), São Luís (MA) e Teresina (PI). Segundo o Levante Mulheres Vivas, a mobilização ocorreu em pelo menos 20 estados e no Distrito Federal.

A professora Deise Coutinho coloca girassóis ao lado de cruzes em Copacabana para protestar contra o feminicídio – Foto Sheila Guimarães

Durante a manifestação em Copacabana, a professora aposentada Deise Coutinho, de 68 anos, levou girassóis e os colocou ao lado de cruzes pretas espalhadas pela orla, que simbolizavam vítimas de feminicídio. Representante do Sindicato dos Professores de Escolas Particulares, ela cobrou respostas do poder público diante do número de mortes de mulheres.

“Girassol é uma flor que se levanta. Nós nos levantamos para lutar e para acabar com essa matança das mulheres.”
Deise Coutinho, 68 anos, professora aposentada e representante do Sindicato dos Professores de Escolas Particulares

Durante os protestos, participantes também lembraram casos recentes de grande repercussão nacional. Na última sexta-feira (5), o corpo da cabo do Exército Maria de Lourdes Freire Matos, de 25 anos, foi encontrado carbonizado em Brasília. O crime é investigado como feminicídio após a confissão do soldado Kelvin Barros da Silva, de 21 anos, que permanece preso no Batalhão da Polícia do Exército.

Outro episódio citado foi o de Tainara Souza Santos, que teve as pernas mutiladas após ser atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro enquanto permanecia presa ao veículo. O motorista, Douglas Alves da Silva, foi preso e responde por tentativa de feminicídio.

Também ganhou destaque o assassinato de duas servidoras do Cefet-RJ: Allane de Souza Pedrotti Matos, de 41 anos, diretora pedagógica, e Layse Costa Pinheiro, de 40, psicóloga. Elas foram mortas a tiros por um funcionário da instituição, que cometeu suicídio logo após o crime. O autor, João Antônio Miranda Tello Ramos, também integrava o departamento pedagógico.

No estado do Rio de Janeiro, dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam que, até novembro de 2025, foram registrados 79 casos de feminicídio e 242 tentativas. Pela legislação brasileira, o feminicídio é caracterizado como o homicídio de uma mulher em razão da condição de gênero, geralmente associado à violência doméstica, familiar ou à discriminação. O crime é classificado como hediondo e prevê pena de 20 a 40 anos de reclusão.